Construindo ambientes mais saudáveis: SST em Foco debate riscos psicossociais e liderança
“Não adianta pensar em pessoa saudável sem falar em saúde mental. Já estava mais do que na hora deste tema estar na ordem do dia das empresas”. A afirmação da consultora de saúde do Seconci-Rio, Gilda Araújo, sintetizou um dos principais recados da edição do SST em Foco realizada nesta quarta-feira (24), na sede do Sinduscon-Rio. Promovido pelo Seconci-Rio, o encontro reuniu profissionais de Recursos Humanos e Saúde e Segurança do Trabalho (SST) de empresas da construção civil para discutir os desafios da gestão dos riscos psicossociais e os impactos das atualizações da NR-01.
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Na abertura do evento, o superintendente do Seconci-Rio, Nelson Rebel, falou sobre o papel da entidade na promoção da saúde e da segurança dos trabalhadores da construção civil e defendeu que o debate sobre riscos psicossociais seja conduzido a partir de uma perspectiva de cuidado e prevenção. “O trabalho não é a doença. O foco é o cuidado, é a prevenção, é melhorar o ambiente”, disse ele, lembrando que a discussão sobre saúde mental deve contribuir para a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e acolhedores.
Ao longo da manhã, o foco foi a necessidade de ampliar o olhar sobre a saúde dos trabalhadores, considerando não apenas os riscos físicos, mas também fatores relacionados à organização do trabalho, às relações interpessoais e ao equilíbrio emocional. A psicóloga Danielle Queiroz, especialista em saúde mental, chamou a atenção para a forma como o trabalho ocupa um papel central na construção da identidade das pessoas, apontando que líderes e gestores precisam desenvolver uma escuta mais sensível para compreender as necessidades das equipes, identificar situações de conflito e promover ambientes psicologicamente seguros.
Neste sentido, reforçou a importância de reconhecer que diferentes trabalhadores possuem trajetórias, desafios e necessidades distintas. Entre as estratégias para reduzir vulnerabilidades e fortalecer o bem-estar foram elencadas a escuta ativa, a valorização das pausas, a formação humana das lideranças e a construção coletiva de soluções voltadas para resultados sustentáveis.
Na sequência, ao explicar como o gerenciamento dos fatores de risco psicossociais deve ser incorporado às práticas de gestão, a auditora-fiscal do Trabalho, Ana Luiza Horcades, deixou claro que a atualização da norma não cria novas obrigações para as empresas, mas, sim, fortalece um processo que já faz parte da prevenção de riscos ocupacionais. “Não estamos falando de obrigações novas, mas asfaltando esse caminho”, afirmou. Durante sua apresentação, Ana Luiza destacou a importância da identificação dos perigos, da definição de medidas de controle e da integração entre instrumentos como o PGR e o PCMSO. Também reforçou que ações isoladas de bem-estar, como campanhas de saúde e ginástica laboral, não substituem a necessidade de enfrentar as causas que podem gerar adoecimento.
Representando o Seconci-Rio, Gilda Araújo destacou que a ergonomia vai muito além da postura ou do esforço físico e pode ajudar as empresas a identificar fatores que impactam a saúde mental dos trabalhadores. Ao abordar a relação entre a NR-17 e a NR-01, mostrou como aspectos ligados à organização do trabalho, como ritmo das atividades, pressão por prazos, pausas, autonomia e qualidade da comunicação entre equipes e lideranças, influenciam diretamente o bem-estar dos profissionais.
“O foco da NR-01 não é o diagnóstico do trabalhador, e sim as condições de trabalho que podem levar ao adoecimento. A empresa identifica, avalia, documenta e controla”, explicou. Segundo Gilda, esse processo passa por incluir os riscos psicossociais no PGR, mapear fatores de risco que afetam coletivamente as equipes, definir medidas de controle, preparar lideranças para reconhecer situações de vulnerabilidade e fortalecer a escuta e o acolhimento dos trabalhadores. “Trabalho seguro começa com um ambiente bem organizado”, concluiu.
O evento foi encerrado com um bate-papo entre participantes e palestrantes, com troca de experiências e esclarecimento de dúvidas. A principal mensagem deixada foi que ambientes de trabalho mais saudáveis são resultado de um esforço coletivo, que envolve liderança, organização do trabalho e cuidado com as pessoas.
