Além do que se vê: os sinais da saúde mental no trabalho
Em 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, o Seconci-Rio chama a atenção para um tema que faz parte da rotina das empresas: nem sempre é fácil perceber quando algo não vai bem para além das queixas físicas. Na rotina do trabalho, mudanças de comportamento e outros sinais podem surgir aos poucos e acabar passando despercebidos.
Irritabilidade, isolamento, dificuldade de concentração, queda de rendimento, aumento de erros, faltas frequentes ou até mesmo estar sempre presente, mas com pouca disposição e produtividade, podem indicar que alguma coisa merece atenção. Sozinhos, esses sinais não significam necessariamente um transtorno mental, mas podem ser um convite para olhar com mais cuidado para o trabalhador e para o ambiente em que ele está inserido.
E como a empresa pode agir?
O primeiro passo é perceber mudanças de comportamento, sem julgamentos e tentar acolher o trabalhador. Uma conversa respeitosa e reservada pode ajudar a entender se existe alguma dificuldade e se a pessoa precisa de apoio. Ouvir com atenção, evitar cobranças e preservar a privacidade são atitudes importantes nesse momento.
Também vale olhar para o próprio ambiente de trabalho. Sobrecarga, excesso de demandas, falta de autonomia, pressão constante, conflitos, assédio, insegurança e falta de apoio estão entre os fatores que podem contribuir para o adoecimento mental relacionado ao trabalho. Por isso, quando surgem sinais de sofrimento, é importante avaliar se existem aspectos da organização do trabalho que precisam ser revistos.
Outro ponto importante é saber quando buscar ajuda. A empresa não precisa, e nem deve, tentar resolver sozinha uma situação de possível comprometimento. Quando os sinais persistem ou começam a afetar o bem-estar e a capacidade de trabalho, é importante orientar o trabalhador a procurar avaliação de profissionais de saúde, contando com o apoio da saúde ocupacional.
No Brasil, esse cuidado ganhou ainda mais importância com a inclusão dos fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), prevista na atualização da NR-1. A mudança reforça que a prevenção em saúde e segurança do trabalho também precisa considerar riscos que nem sempre são visíveis, mas devem ser controlados, se identificados, para mitigar danos à saúde do trabalhador.
“A prevenção começa com identificação, execução, monitoramento e ajustes necessários nos processos de trabalho observando todos os riscos envolvidos na execução das atividades. Observar mudanças no dia a dia e entender o que pode estar por trás delas ajuda a agir antes que a situação se agrave. A área ocupacional tem justamente esse papel: identificar possíveis riscos, orientar a empresa à mitigar riscos, acompanhar o trabalhador, e oferecer suporte quando necessário. No Seconci-Rio, esse cuidado faz parte do trabalho de prevenção e promoção da saúde no ambiente de trabalho”, explica a consultora de saúde do Seconci-Rio, Gilda Araújo..
Cuidar da saúde mental no trabalho também é fazer prevenção. Para as empresas, isso significa criar espaços de escuta, acompanhar os trabalhadores, identificar fatores de risco e olhar para as condições de trabalho revendo os processos de trabalho para o coletivo, sempre que houver necessidade de mudança. Todo risco merece atenção e cuidado.
