O futuro da construção civil também é feminino

Março é o mês em que o mundo volta os olhos para a luta histórica das mulheres por direitos, reconhecimento e igualdade. Na construção civil, esse olhar ganha ainda mais significado. O setor, tradicionalmente masculino, caminha num processo de mudança, há alguns anos, e essa transformação tem a marca da presença, da competência e do protagonismo feminino.
As mulheres ainda são minoria nos canteiros de obras, mas esse cenário está, aos poucos, se transformando. E essa mudança vem da qualificação, da ampliação de oportunidades e da construção de ambientes de trabalho mais seguros e respeitosos.
É nesse contexto que iniciativas como o Projeto Mão na Massa fazem a diferença. Voltado à capacitação de mulheres para atuar em obras, o projeto abre portas, gera autonomia financeira e ajuda a enfrentar desigualdades históricas do setor.
Desde sua criação, o Mão na Massa já formou mais de 1.700 mulheres. Atualmente, cerca de 70% delas estão gerando renda na construção civil, com carteira assinada, em grandes construtoras, como autônomas ou até mesmo em outras áreas. E o impacto não para por aí: muitas retomam os estudos e seguem novos caminhos profissionais, incluindo formação técnica e graduação em Engenharia Civil.
Para Elizena Amaral de Assunção, coordenadora do projeto, o maior resultado vai além da formação técnica, é a mudança que acontece por dentro.
“Cada mulher que passa pelo projeto carrega uma história de luta. A capacitação devolve algo essencial: a confiança. Quando elas percebem que são capazes de atuar em um setor tradicionalmente masculino, tudo muda, a postura, o olhar, a forma de se enxergar no mundo. O curso é só o começo. O restante da história, elas mesmas constroem tijolo por tijolo, com coragem e orgulho”, afirma.
O avanço da presença feminina na construção civil também ganha força com o Projeto Elas Constroem, que prepara mulheres para atuar no setor. A formatura da primeira turma feminina do curso de pedreiro, no fim do ano passado, marcou o início dessa nova etapa, depois de três meses de aprendizado técnico, troca de experiências e fortalecimento coletivo.
A iniciativa é da CBIC e conta com o apoio de entidades e empresas como o Seconci-Rio, Sinduscon-Rio, Riomix Celumassa e Firjan SENAI, uma rede que tornou essa conquista possível.
A próxima turma já está prevista para Vicente de Carvalho, organizada pelo Seconci-Rio em parceria com a Tegra Incorporadora, ampliando o alcance do projeto e fortalecendo um modelo que une capacitação e inclusão produtiva.
Ao apoiar e desenvolver iniciativas como essas, o Seconci-Rio reafirma seu compromisso com a qualificação profissional, a valorização da mão de obra e a construção de um setor mais moderno, diverso e sustentável.
Neste mês das mulheres, mais do que comemorar, é hora de agir. Ampliar a presença feminina na construção civil é transformar reconhecimento em oportunidade e discurso em desenvolvimento.
