Setembro Amarelo: saúde mental também é assunto de segurança no trabalho
Setembro é o mês dedicado à prevenção ao suicídio. Mas esse cuidado não pode ficar restrito a hospitais e consultórios: precisa entrar nas obras e escritórios da construção civil, porque cuidar da saúde mental do trabalhador é tão importante quanto garantir o uso de capacete, cinto de segurança e botas de proteção.
Os números mostram a urgência do tema. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. No Brasil, o cenário no ambiente de trabalho também preocupa: em 2025, o país registrou mais de 540 mil afastamentos por transtornos mentais. O número foi 15,66% maior que o registrado em 2024 e o maior da última década, de acordo com dados do Ministério da Previdência Social.
Durante muito tempo, a Segurança e Saúde no Trabalho (SST) focou apenas em evitar acidentes físicos. Mas o dia a dia, e agora também a legislação, mostra que o desgaste mental também adoece. A NR-1, norma que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais, passou a exigir que as empresas incluam os riscos psicossociais em seus Programas de Gerenciamento de Riscos (PGR), reconhecendo oficialmente que o ambiente psicológico do trabalho é parte da segurança do trabalhador, tanto quanto o físico.
O que afeta a saúde mental no canteiro de obras?
Riscos psicossociais são os fatores do ambiente de trabalho que afetam a saúde emocional do trabalhador. Correria com prazos, excesso de tarefas, falta de apoio da chefia ou um clima pesado entre os colegas são situações que, aos poucos, vão se acumulando. Com o tempo, podem provocar estresse, ansiedade, depressão e esgotamento.
Há um ponto que não pode ser ignorado: quando a mente está sobrecarregada, a concentração também é afetada. Na construção civil, uma distração causada pelo estresse pode resultar em um acidente grave. Por isso, cuidar da saúde mental também é uma forma de proteger a vida de todos na obra.
Como criar um ambiente mais leve e seguro?
Prevenir não é só colocar um cartaz na parede em setembro e esquecer no resto do ano. É preciso atitude no dia a dia.
Algumas ações simples fazem diferença:
– Dividir bem as tarefas: evitar prazos impossíveis e não sobrecarregar a equipe.
– Liderar com respeito e empatia: encarregados, mestres e engenheiros precisam saber ouvir e perceber quando alguém da equipe não está bem.
– Saber acolher: o trabalhador precisa ter espaço para pedir ajuda sem medo de piadas ou de perder o emprego.
– Conversas abertas: usar momentos como o DDS para bater um papo sobre saúde mental, sono, família e estresse.
O Seconci-Rio está com você
A saúde mental do trabalhador da construção civil já faz parte do pacote de saúde ocupacional oferecido pelo Seconci-Rio às empresas. Os programas ocupacionais, como o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) e o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), passaram a incluir a identificação e o gerenciamento de riscos psicossociais, conforme passou a exigir a NR-1.
Na área assistencial, o Seconci-Rio também oferece atendimento psicológico, mediante encaminhamento médico.
Neste Setembro Amarelo, fique atento a quem está ao seu lado. Uma conversa, uma escuta atenta ou uma palavra amiga podem fazer diferença. E, se precisar de apoio, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito, 24 horas por dia, pelo telefone 188 e pelo site cvv.org.br.
