Dia Nacional de Combate ao Fumo: parar de fumar vai muito além da força de vontade

Todo mundo sabe que fumar faz mal. Ainda assim, parar com esse vício pode ser uma das decisões mais difíceis para quem convive com o cigarro há anos. E não é simplesmente uma questão de querer ou não querer.

A explicação está na nicotina. Ela chega ao cérebro e provoca a liberação de substâncias ligadas à sensação de prazer e recompensa. Com o uso frequente, o organismo se acostuma e, quando a nicotina falta, podem surgir irritação, ansiedade, dificuldade de concentração e uma forte vontade de fumar.

Com o tempo, o cigarro também pode ficar associado a momentos da rotina, como o café, a pausa no trabalho, depois do almoço ou situações de estresse. Esses gatilhos tornam mais difícil deixar o cigarro.

A coordenadora de Saúde do Seconci-Rio, Gilda Araújo, explica que, por isso, não basta dizer para a pessoa simplesmente parar. “É importante entender em quais momentos o cigarro aparece na rotina, o que ele representa para aquela pessoa e quais estratégias podem ajudá-la a deixar de fumar. O processo é individual e pode exigir mais de uma tentativa”, diz ela.

Por onde começar?

O primeiro passo pode ser buscar orientação profissional e definir uma data para parar. Identificar os momentos que dão vontade de fumar também ajuda a encontrar alternativas para esses gatilhos. Quando indicado, o tratamento pode incluir medicamentos para controlar a dependência e os sintomas da abstinência. O importante é não enfrentar esse processo sozinho.

Os efeitos  causados pela falta de nicotina costumam ser mais intensos nos primeiros dias e tendem a diminuir com o tempo. Por isso, uma recaída não precisa significar desistência. Retomar a tentativa e buscar orientação profissional também faz parte do processo.

Vale a pena insistir

O que acontece com o corpo quando a pessoa para de fumar? Depois do último cigarro, o organismo começa a se recuperar. Em cerca de 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue volta ao normal. Entre duas semanas e três meses, a circulação e a função pulmonar começam a melhorar. Quanto mais tempo sem cigarro, menores também são os riscos de desenvolver diversas doenças relacionadas ao tabagismo.

Isso não significa que todos os efeitos desapareçam de uma hora para outra. O tempo de recuperação varia de acordo com o histórico de cada pessoa, como a quantidade e o tempo em que fumou. Mas parar sempre traz benefícios, mesmo para quem fuma há muitos anos.

No dia 29 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Fumo, talvez a pergunta não deva ser apenas “por que eu deveria parar?”, mas também “o que pode me ajudar a conseguir parar?”. Para quem já tentou e não conseguiu, uma nova tentativa pode ser o começo de uma mudança necessária e importante.

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