Além do EPI: como a atitude da liderança define a segurança no canteiro

O DDS é um momento importante para falar sobre segurança, mas é na rotina da obra, especialmente diante dos imprevistos e da pressão por prazos, que a cultura de prevenção aparece e ganha forma a partir das decisões tomadas pela liderança.

As atualizações da NR-1, que prevê o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, e da NR-18, que trata das especificidades da construção civil, deixaram ainda mais claro que o gerenciamento de riscos precisa fazer parte da rotina da empresa e das decisões de suas lideranças.

Existe também uma razão bastante prática para isso. Além do compromisso inegociável com a vida e a saúde dos trabalhadores, a falta de uma gestão preventiva pode gerar impactos para a construtora, como o aumento do FAP sobre a folha de pagamento, custos de embargos e paralisações, e passivos trabalhistas que poderiam ser evitados.

Na prática, que tipo de líder está no canteiro?

E é aí que a liderança faz diferença. Engenheiros, mestres de obras e encarregados estão próximos da operação e tomam decisões que influenciam a forma como o trabalho é realizado.

Alguns comportamentos são mais comuns do que parecem. Tem o líder reativo, que só age depois que o problema acontece, ou quando alguém aponta o risco para ele, e assim vai empurrando a prevenção para depois. Tem também quem olhe só para o papel: confere documento, treinamento, EPI, mas nem sempre verifica se aquilo está funcionando de verdade na rotina da obra.

Mas, felizmente, existe o líder preventivo, que acompanha o trabalho de perto, conversa com a equipe, percebe o risco antes que ele vire ocorrência, entendendo que segurança e produtividade não competem entre si, mas sim andam juntas.

“O líder é importante, porque está próximo da equipe e das situações que acontecem no canteiro. Quando ele acompanha o trabalho, escuta os trabalhadores e leva a sério os riscos apontados, certamente ajuda a criar um ambiente em que as pessoas se sentem mais seguras para falar e agir preventivamente. A segurança deixa de ser apenas uma orientação e passa a fazer parte da rotina”, aponta Juliana Lopes, supervisora de SST do Seconci-Rio.

Pequenas atitudes fazem diferença

Uma liderança comprometida com a segurança não vira o canteiro do avesso com cobrança. Algumas atitudes simples já fazem muito mais efeito:

Ouvir quem está trabalhando. Quem realiza uma atividade todos os dias conhece detalhes e dificuldades que nem sempre aparecem no planejamento.

Levar os “quase acidentes” a sério. Se ninguém se machucou, ótimo, mas o que aconteceu pode revelar uma falha que precisa ser corrigida antes que o próximo resultado seja diferente.

Respeitar o direito de recusa. A NR-1 prevê que o trabalhador pode interromper uma atividade diante de uma situação de risco iminente, então a liderança precisa garantir que esse direito seja exercido sem constrangimento ou represália.

Reavaliar quando o cenário muda. Se a etapa da obra mudou, entrou uma equipe nova ou a forma de executar o serviço foi alterada, o risco pode ter mudado junto e vale olhar de novo para ele.

Dar o exemplo. Não adianta cobrar um procedimento da equipe e, na primeira situação de pressão, fazer o contrário.

No fim, fica uma pergunta importante para toda liderança: minhas decisões estão ajudando a equipe a trabalhar com segurança ou estão criando obstáculos para que isso aconteça?

Uma cultura de prevenção não se constrói apenas com normas, treinamentos e documentos. Ela acontece quando a segurança está presente nas decisões que fazem a obra acontecer todos os dias.

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